A história da hipnose

Miriam Pontes de Farias

Esta prática milenar existe desde o Antigo Egito, tendo sido usada em rituais místicos e de cura. Mas, foi Franz Anton Mesmer (1734-1815) – alemão, médico, quem iniciou a transição do ocultismo para o método científico, dando inclusive origem ao termo “mesmerismo”. Porém, seu conceito de magnetismo animal, não se comprovou na prática. Mesmer acreditava que o fluxo de magnetismo do médico para o paciente, era o responsável pelo transe hipnótico, o que nunca houve comprovação científica. Foi acusado de charlatanismo e fraude. Contudo, foi o primeiro a criar um método para a prática da hipnose.
José Custódio de Faria (1756-1819) – português, padre. Em 1813 percebeu que os resultados benéficos da hipnose, vinham dos recursos da própria pessoa, através da sugestão, contribuiu com alguns conceitos em hipnose tais como: signo-sinal, sugestão pós-hipnótica e autossugestão.
James Esdaile (1808-1859) – escocês, médico cirurgião, em 1830 trabalhou na Índia, por falta de anestésico químico, realizou diversas cirurgias, apenas com anestesia hipnótica, é o primeiro relato da hipnose usada para anestesiar.
James Braid (1795-1860) – inglês, médico e oftalmologista, para ele a hipnose era um fenômeno neurofisiológico que acontecia na área dos olhos. Criou a técnica de fixação do olhar. Em 1842 tentou mudar o nome hipnose para monodeísmo, e não conseguiu, o nome continuou a ser hipnose.
Jean Martin Charcot (1825-1893) – francês, médico e neurologista, trabalhou na faculdade de medicina somente com mulheres histéricas. Em 1878 ministrou aulas de hipnose, vários médicos foram seus alunos dentre os quais Sigmund Freud.
A Escola de Nancy teve dois representantes, sendo eles: Auguste Liébault (1823-1904) e Hippolyte Bernheim (1840-1919). Discordam de Charcot e passam a hipnotizar enfermeiros e colegas que não eram histéricos, obtendo bons resultados. Essa escola acreditava no poder da sugestão levando o paciente a cura.
Sigmund Freud (1856-1939) – austríaco, médico e neurologista, em seu trabalho com mulheres, verificou que nem todas entravam em transe e, que apenas descobrir o que houve com a paciente não levava à cura.
Atualmente, trabalhamos com essas condições, sabemos que 10% da população é muito hipnotizável, 80% é hipnotizável e somente 10% não entram em estado de transe hipnótico, mas que pode ser treinada para tal.
Somente saber o que houve com a paciente no passado não levava à cura, mas hoje, investigamos e tratamos o conteúdo emocional que aparecer.
Émile Coué (1857-1926) – francês, psicólogo e farmacêutico, é considerado o pai da auto-hipnose ou autossugestão.
Ivan Petrovich Pavlov (1949-1936) – russo, médico e fisiologista, trouxe uma grande contribuição para hipnose, concebeu a palavra como o reflexo condicionado mais simples que existe.
Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) – a hipnose voltou a ser praticada e a ser reconhecida pela comunidade científica, em virtude da quantidade de soldados feridos, e por falta de anestésico químico, foi necessário recorrer à hipnose como anestesia e também como terapia breve para tratar as consequências emocionais da guerra.
Milton H. Erickson (1901-1980) – norte-americano – médico, psiquiatra e psicólogo, criador da hipnose Ericksoniana, realizada através de metáforas, são histórias que se relacionam com a vida dos pacientes.
Nos dias de hoje, a neurociência avança no conhecimento dos fenômenos ligados à prática da hipnose e seus benefícios, e ainda há muito por descobrir.
Atualmente, no Brasil, a hipnose é uma prática complementar da medicina, psicologia, odontologia, fisioterapia e terapia ocupacional, regulamentada por seus Conselhos Federais.


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